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Os maus tratos aos pacientes do SUS.

É muito comum a ocorrência de maus tratos entre as pessoas. Não me refiro os maus tratos físicos ou abusos sexuais, mas palavras e atitudes do dia a dia. Um exemplo comum é quando alguém nos diz algo que não gostamos. Quando mostramos nossa chateação, rápida e espertamente o nosso interlocutor diz que “estava brincando”.

A safadeza e corrupção que verificamos na postura de muitos políticos, obviamente repercutem no nosso imaginário e é “sim” um mau trato que recebemos. Só que é difícil medir os efeitos e as repercussões danosas que causam em cada um de nós.

Nesta linha de maus tratos, vou relatar como os pacientes do Sus são maltratados. Sou psiquiatra e quando receito uma medicação controlada, o paciente deve buscá-la num posto do SUS. Devido a uma questão burocrática, a receita tem validade de 30 dias, a partir da data de emissão. Não sei a razão desta regra que determina os 30 dias de validade da receita. Caso o paciente vá buscar o remédio e não tem a medicação ele corre o risco de ficar com a receita caducada na mão. Terá que marcar uma nova consulta para obter a mesma receita, o que não é fácil. Ficará sem o remédio, ou porque não tinha no SUS quando foi buscar ou porque agora tem o remédio, mas sua receita não tem validade.

Para ajudar os pacientes eu costumo não colocar a data na receita e oriento para que eles vão ao posto e lá coloquem a data. O que tem acontecido na prática: vão ao posto e o funcionário não dá o remédio porque não tem data, ou se os pacientes põem a data dizem que foi escrita por outra pessoa. Este problema não existe se compramos medicação em farmácias.

O incrível, é que estes pacientes são maltratados e aceitam estas situações como se isso fizesse parte da vida deles. Estas pessoas, em especial, precisam de muitos cuidados, afagos e afetos.

Não estou falando mal do SUS. Percebo que em nosso estado ele oferece um bom atendimento, inclusive com bastante disponibilidade de medicações psiquiátricas. O que desejo é alertar para a desatenção extrema com os pacientes. Estes maus tratos adoecem o emocional de qualquer pessoa e nós estamos acostumados a acolhê-los com naturalidade.

 

Nelio Tombini

Diretor da Psicobreve

 

 

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