E agora? Meu filho(a) saiu de casa!

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Como os pais podem facilitar ou dificultar essa transição na vida dos filhos?

A tradicional síndrome do ninho vazio é a luta dos pais para superar a saída dos filhos de casa e assim, preencher o espaço deixado por essa nova geração. Quando alçam voo, seja por estabelecerem economia própria, seja por casamento ou qualquer outro motivo, os pais podem sentir uma espécie de abandono, de vazio, que pode se transformar numa grande tristeza ou, em casos mais graves, em uma depressão.

É natural que isso aconteça, afinal desde o nascimento daquele ser a relação de dependência sempre existiu, em maior ou menor grau. É comum pais que se queixam de filhos que saem de casa e, aos poucos, esquecem do antigo lar. Os telefonemas e as visitas são mais raros, com exceção de momentos de crise em que a procura e o contato podem aumentar. Alguns pais, como se fosse uma atitude amorosa, tentam controlar constantemente a vida dos filhos. Esses, muitas vezes, se afastam para não vivenciarem mais tamanha pressão.

E quando acontece exatamente o contrário? São filhos com 30, 35 ou até mais de 40 anos, adultos que não desejam sair de casa. O ninho continua cheio, na verdade lotado. Na atualidade, esse momento tem sido protelado, ou seja, a saída de casa está sendo cada vez mais tardia e, às vezes, isso nem acontece. Nesta situação, tem-se o que os especialistas chamam de “síndrome do ninho cheio”, que se constitui na frustração dos pais pela incapacidade de criar filhos independentes.

Um dos motivos mais trazidos pelos filhos que não querem sair de casa é a questão econômica. O que está sempre entre as primeiras justificativas para permanência na casa dos pais, afinal comprar ou alugar um apartamento não é nada barato, e há a dificuldade de se conseguir e manter o emprego. Contudo nem sempre a questão envolve dinheiro. Diversas vezes, a única razão é por comodidade mesmo. Surgem assim, os pais patrocinadores, em que a maioria dos filhos mora em casa e não ajuda nem nas despesas básicas. Outros justificam que amam muito sua família, que não pretendem sair de casa enquanto não se casarem, porque adoram ter suas camisas passadas e entregues como uma lavanderia, comida no prato e outros confortos. O risco é de que esses filhos não se sintam habilitados e capacitados para cuidarem de suas próprias vidas, tendo em vista que sempre foram cuidados e amparados por seus pais. A insegurança e o despreparo surgem como características principais desses filhos.

Não há uma fórmula única para vivenciar essa etapa. Sabe-se que muitos pais fazem suas vidas em função dos seus filhos e o casamento só existe por isso. Alguns desenvolvem pequenos conflitos entre si, tendo em vista que a presença dos filhos em casa pode encobrir áreas de atrito entre o casal. Invariavelmente, quando o filho vai embora, sentem-se perdidos e sem razão para seguirem cuidando de suas próprias vidas. Pode-se inclusive perceber que esse “ninho cheio” pode estar vazio, pois diversas vezes, as relações entre pais e filhos, mesmo na mesma casa, é distante e desrespeitosa, o que acarreta um afastamento, um esvaziamento.

Em grande parte destas situações, existe um conluio inconsciente entre esses pais e filhos. Os pais jogam a isca, os filhos sentem-se seduzidos por essa situação e consequentemente, por suas carências e inseguranças, não desenvolvem suas competências e aptidões. O objetivo desse texto é provocar uma reflexão sobre esse tema que é tão constante e significativo nas relações familiares atuais.

Gabriela Tombini
Psicóloga


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