A importância de falar sobre sexualidade com os filhos

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Muitos de nós já nos pegamos ensaiando como seria a primeira abordagem sobre conteúdos abrangendo o universo da vida sexual com nossos (as) filhos (as). É comum alguns pais acreditarem que essa conversa será muito tranquila, outros pensam que poderá ser um verdadeiro desastre. Provavelmente esse bate-papo será um desafio, mas a forma como abordaremos tudo isso vai depender de como os pais lidam com a própria sexualidade, tabus, crenças e inseguranças.

Eis que um belo dia somos “pegos de surpresa” com um questionamento inesperado e por mais que possamos buscar uma preparação, possivelmente não estaremos prontos e seguros para falar de tal tema pelo simples fato de ser difícil assumir que nossos filhos estão crescendo e nós envelhecendo.

Não existe um manual sobre como falar de sexo com os filhos. Mas sim, existem dicas, sugestões, e estar sintonizado com o (a) seu (sua) filho (a) é o melhor radar para uma boa comunicação, mesmo que essa seja exigente, constrangedora. Se estivermos dispostos a ouvir o que ele tem a dizer, independente de sua idade, já temos uma parte dessa travessia percorrida. Deixar que ele traga suas dúvidas conversando de forma aberta será uma oportunidade para transmitir que ali é um espaço disponível para isso. Como, por exemplo, quando observamos que a criança está tocando no seu órgão genital. Nesse caso, não devemos ficar assustados e nem repreender a criança. E se a situação se repetir deve-se falar para o menino ou menina: tenho visto que tens tocado seu órgão genital conta para a mãe ou pai o que você sente que antes não tocava?

Quando não sentimos liberdade para trocar seja por medo, insegurança, as informações serão buscadas por eles através de outros meios. Uma criança por volta de dois anos terá questionamentos referentes ao conhecimento do próprio corpo. Eles querem nomear a cabeça, a mão e por que quando perguntam o nome do seu órgão genital ficamos tão constrangidos? Temos muitas vezes uma fantasia de que se falarmos abertamente sobre isso estaremos estimulando de forma precoce um contato com o sexo. Outra situação é quando a criança quer beijar a boca de um (a) amiguinho (a) os pais podem questionar a criança: porque ele (a) sentiu está vontade? Por que ele (a) não beija na bochecha? E o que responder para aquela que talvez seja a pergunta mais temida pelos pais: como nascem as crianças? A resposta pode ser bem mais simples do que se pensa “o pai coloca uma sementinha dentro da barriga da mãe e assim nascem os bebês.

Ao contrário do que imaginamos, as crianças e adolescentes que têm mais informações sobre esse universo tem o início da vida sexual de forma possivelmente mais consciente e tranquila, já que conquistaram um espaço de troca com os pais. De acordo com a psicóloga Ana Carolina, quando estamos sintonizados com nossos filhos (as) e escutamos o que eles (as) têm para dividir conosco sem “avançamos o sinal vermelho”, ou seja, sem antecipar perguntas as quais eles podem não ter interesses nas respostas ainda, promovemos um espaço seguro para o diálogo. Vale sempre lembrar que essas conversas nunca são definitivas e sempre podem ser retomadas a qualquer momento.

Um assunto que deve ser abordado precocemente é a respeito de quem pode tocar e de quem não pode tocar no corpo de seu (sua) filho (a). Mostrar que estranhos não tem esse direito e que inclusive os pais podem tocar nos filhos, mas nas suas partes íntimas apenas com fins de higiene e não de carícias é de extrema importância. Cada família terá que avaliar como conduzir esse processo podendo construir uma relação de maior intimidade e de segurança.

Quando nos sentimos mais satisfeitos e confortáveis com nossa própria sexualidade tendemos a favorecer um ambiente mais próximo e atento com nossos filhos. É muito comum nos atrapalharmos com esse tema, uma vez que, ao falar sobre a sexualidade com nossos filhos podemos retomar situações que aparentemente estavam bem resolvidas.

Falar de sexo definitivamente será difícil, porém não fuja de uma conversa com seu filho (a) e aproveite essa oportunidade para se tornar uma referência e oferecer suporte quando ele (a) sentir a necessidade de um auxílio.

Ana Carolina Tombini
Psicóloga – Especializada em Infância e Adolescência
CRP – 07/12371


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